História de Regina Magalhães

História de Regina Magalhães

Era para ser um livro, todavia mudei de ideia quando fui acometida por um segundo AVC isquêmico em 28 de setembro de 2012, permanecendo internada por quatro dias, passando a relatar o que se passou comigo, na intenção de auxiliar pessoas que talvez tiveram sofrimentos maiores que o meu, mas ainda estão tentando superá-los.

Em janeiro de 2009 sofri um AVC isquêmico, porém só fiquei sabendo disso três meses após, quando procurei um médico neurologista amigo da família por estar sentindo a ponta do nariz, o lábio e o dedão da mão direita adormecidos, dificultando a escrita bem como pronunciar algumas palavras.

Tinha ido em um casamento na cidade de Muzambinho e na viagem havia me sentido mal chegando a vomitar. Associei o ocorrido ao fato de ter deixado de tomar remédio próprio evitar mal-estar em viagens.

Passei por uma tomografia que constatou a ocorrência de um AVC isquêmico. Me receitou remédio para pressão arterial bem como medicamento para afinar o sangue com o objetivo de prevenir novo AVC.

Tive que moderar no calçado, dar um tempo na dança porque fiquei com a coordenação motora reduzida.

Fiz muita caligrafia, cópia de texto, fisioterapia caseira com bolinha de gude para o pé, outra bolinha para a mão, lateral direita, muita disciplina, força de vontade, e alguns meses de luta diária, a vida em si quase voltou ao normal.

Consegui criar nova assinatura pois necessitava renovar CNH, entretanto, na semana em que me preparava para efetuar a renovação da mesma, novo AVC isquêmico em 28/09/2012.

Sempre fui uma pessoa ativa, dançava várias vezes na semana, tinha uma empresa desde 1983, acumulando função de despachante, imobiliária, corretora, administradora, cursei faculdade de educação física em 1975, administração em 1985 e formei em direito em 2003 com 49 anos.

Comemorei meu aniversário no hospital com doce de brigadeiro.

Não era sonho nem pesadelo; a realidade estava diante de mim e a única opção era encará-la de frente por mais difícil que fosse, no passo a passo.

Primeiro passo: retornar para o lar e verificar o que ainda restava daquela pessoa agitada 24 horas por dia; aparentando ser inatingível; sem nunca ter submetido a ninguém; fazia um pouco de cada coisa: trabalhava em casa, fora de casa, cortava o próprio cabelo, tricotava e estudava ao mesmo tempo que assistia TV, fazia bolo doce, salgados, estudava, dava aulas particulares, etc.

Fiz curso de salgados, dança, corte e costura, e parte do estágio de Educação Física no Sesc de Poços de Caldas dando aulas. Minhas filhas também estudaram no Sesc.

Me casei aos 28 anos, minha primogênita nasceu aos 29 anos; a segunda filha nasceu aos 34 anos e fiquei viúva aos 43 anos.

Nova fase da minha vida estava começando em 2012 quando recebi alta hospitalar: fisioterapia duas vezes ou mais por dia, acupuntura indo e vindo de ônibus, moto, caronas diversas, exames variados, enfim, um pequeno calvário para quem começava o dia antes das 6 horas e terminava altas horas da madrugada.

O mais difícil a enfrentar? Reduzir a jornada de trabalho, mudar o ritmo de vida, diminuir e até mesmo evitar estresse, resumindo, encontrar uma nova fórmula para sobreviver a tudo isso; enfim, um novo motivo para comemorar a vida! Isso mesmo: comemorar a vida! Afinal estava viva! Tive que reconhecer para mim mesma: foi um susto e tanto, todavia estava viva! Viva! E muito viva!

Sempre fui muito polêmica, enfrentando, transpondo ou contornando os obstáculos nunca fugindo nem tendo medo de nenhum deles, sempre os enfrentando de frente, razão pela qual o direito me conquistou.

A velha frase: quem pode manda, quem é inteligente ou quem tem juízo obedece nunca fez a minha cabeça; sou adepta de que “nem tudo o que parece é, nem tudo o que balança cai e nem tudo o que reluz é ouro”. Gosto de afirmar que enfrento tudo com coragem, destemor e determinação porque só existe um ser que temo, respeito ao extremo e abaixo a cabeça porque tem a mão pesada: esse ser é DEUS.

Evitar humilhação com qualquer ser inclusive os animais é meu maior desafio. Sou advogada nata, o DNA está intrínseco no meu ser.

Foi então que comecei a reviver meu passado de lutas, glórias, vitórias, fracassos e muito sacrifício. A palavra fracasso inexistia no meu dicionário mesmo porque o termo correto é engano.

Quem nunca se enganou com alguém ou com coisas que acreditava serem verdades ou verdadeiras? Essa é a fórmula que tanto procuramos descobrir por anos seguidos sem sucesso, pelo fato de que tem coisas, fatos e pessoas que vêm sem manual de instrução ou sem bula mágica.

A primeira lembrança que me veio à memória foi o primeiro COICE que literalmente recebi na testa há aproximadamente 62 anos.

Nasci e fui criada num sítio na cidade famosa de Muzambinho/MG terra do doce de leite.

Meu pai criava alguns animais dentre eles uma égua que se chamava Ruana, um animal muito dócil.

No início da noite do dia 19/03/1957 dia destinado a São José padroeiro da cidade, meu pai nos pediu para tocarmos a Ruana que tinha terminado de comer para outro local.

Na inocência dos quatro anos, peguei um sabugo de milho para tocá-la; o mesmo caiu próximo à sua pata traseira; corri para pegá-lo quando ela deu um coice atingindo o lado direito da minha testa, rente à sobrancelha, cuja cicatriz tenho até hoje.

Minha mãe estava grávida de cinco meses; estava costurando, se assustou muito com minha choradeira e com os gritos de todos os presentes.

Tive que ir para o hospital da cidade de charrete, único veículo naquele momento. Médico disse que se o coice tivesse afetado o osso teria que fazer cirurgia na cidade vizinha. Felizmente o médico conseguiu resolver.

Quando Deus quer agir ninguém o impede, sendo essa a primeira vez que presenciei Deus agir na minha vida.

Passado o susto, minha mãe abortou.

Algum tempo depois uma pinha (carregada de pinhão) caiu próximo à minha cabeça quando agachei para pegar as que estavam no chão. As pontas pontiagudas marcaram meu ombro; se tivesse caído na cabeça iria ser grave considerando o peso, tamanho e altura do pinheiro.

Pela segunda vez constatei a mão de Deus novamente agindo na minha vida.

A terceira vez que senti a mão de Deus muito presente na minha vida foi quando soube que tive o primeiro AVC três meses após.

Descobri tarde demais que poderia ter descansado mais, vivido mais, dormido mais, viajado mais, sofrido menos, trabalhado menos…

O AVC provoca muitas dores: senti como se tivesse passado num compressor, como se tivesse presa às ferragens de um carro capotado. É tanto medicamento, mas nenhum específico para dor. Sentia dor para tomar banho, escovar os dentes, virar na cama, trocar de roupas, até para movimentar o mouse.              

Meu lado direito estava gelado; morri meio corpo e ninguém me avisou; é proibido reclamar. Passava bolinha pontiaguda no meu corpo para melhorar a circulação e aliviar a dor porque os médicos diziam que, embora a medicina tivesse evoluído muito ainda não haviam inventado medicamento para a dor de AVC.

Essa foi a quarta vez que constatei a mão de Deus realizando um grande livramento na minha vida.

Em 2014 participei de um processo seletivo no Sesc de Poços de Caldas para vaga de PCD, fui aprovada onde permaneço até hoje. Meu primeiro registro é de 01/07/1971.

Sou aposentada mas continuo na ativa até hoje. Fui proprietária de um estabelecimento comercial por 27 anos mas, amo trabalhar no Sesc porque decidi fazer tudo reverter a meu favor. Visitei e participei da ADF (Associação dos Deficientes Físicos) No início de outubro de 2019 descobri a filosofia havaiana Ho’oponopono mágico para cura e libertação (limpando as memórias passadas) através das quatro palavras: sinto muito, por favor me perdoe, sou grata, eu te amo. Coloquei em prática e estou me sentindo maravilhosamente bem inclusive o alívio das dores.

Nós, os humanos queremos decifrar a vontade de Deus quando na verdade, Ele nos pede somente que confiemos Nele.

Muitas outras vezes Deus agiu na minha vida como em um capotamento de carro.

Por hoje é só vai ficar para relatar num livro que já tem título: Por Amor a Vida!

Minha mensagem: “Invoquem diariamente o furacão espiritual Divino e fiquem sempre na luz. A luz é o coração de Deus e nele ninguém nos tocará”

“Conserve a própria fé de tal modo que nunca se aflija excessivamente em nenhuma dificuldade! Se pode imaginar, pode também conseguir. Nada temas, crê somente e verá a glória de Deus”

“Ser humilde é reconhecer a potência de Deus”, mesmo porque “Eu jamais me dou por vencida”!

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