História de Natália Pêgo

História de Natália Pêgo

Dentro de poucas linhas quero contar minha história, que até gostaria que fosse um sonho ruim. Nunca vou esquecer o dia 02 de novembro de 1978 (Feriado Finados), programamos um passeio de carro em família (eu, meu marido e 4 filhos) para praia de Guarapari – Espirito Santo.

Em um trecho da estrada seguindo por uma reta interminável cercada por plantações de Eucalipto chovia muito, foi exatamente nesse local que o carro perdeu o controle, colidindo com uma das árvores a beira da estrada causando um terrível acidente, interrompendo ali o destino de uma família mineira que só pensava em ver as ondas do mar em alto estilo.

Perdi meus três filhos e marido nessa tragédia, meus filhos ainda adolescentes entre 15 e 18 anos de idade em pleno florescer da vida, cheios de planos para futuro, futuro este que não chegou, foram 4 pedaços tirados de mim, arrancados sem a menor piedade. Sobreviveu apenas eu e meu filho que por ironia do destino era o motorista, ficamos muito machucados fisicamente e psicologicamente, hoje somos só nos dois vivendo um para o outro.

Foi aqui na unidade Sesc Santa Quitéria, que encontrei o apoio psicológico para minha superação e resiliência. Aqui eu passo a maior tempo da minha vida, dançando, brincando, conversando, realizando atividades físicas e lúdicas, buscando assim uma maneira de preencher o espaço da saudade da minha amada família. Conseguir formar aqui um ciclo de convivência e relacionamento saudável entre funcionários e participantes desta instituição.

Sei que o tempo é o melhor remédio para todas as curas, também sei de onde veio está força para suportar tanta dor, acredito que eu tenha recebido uma benção especial que veio de Deus. Hoje com 88 anos, sei o poder da minha fé, consigo administrar e conviver com o tempo pois sei que “O sabor da vida é mais doce que o amargo de não saber viver”. Não ignoro as ameaças que o futuro me reservou, mas provisoriamente sinto que o tempo não parou.

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