História de Analice

História de Analice

*1983: Um Pai de família, que vivia em uma situação de pobreza, e tinha uma relação complicada com a mãe das suas três filhas, que era alcoólatra. Ele chegava do trabalho e encontrava sempre as crianças em meio a sujeira e debilitadas. Inconformado com essa situação, resolve abandona-la e cuidar sozinho das filhas. Mas a situação financeira era muito apertada e ele não tinha apoio da família. A situação era crítica, tanto que em um ato de desespero esse Pai chegou a pensar em se matar e foi encontrado a beira de um rio com as crianças prestes a se jogar com elas, na tentativa de dar fim em tanto sofrimento. Algumas pessoas que passavam na rua, abordaram esse pai e o sensibilizaram, convencendo a deixar que as crianças fossem adotadas por outras famílias.

Muitas pessoas se mobilizaram para que fossem encontrados lares para as crianças, visto que naquela época tão “burocrático” realizar uma adoção. Duas das crianças foram adotadas, cada uma por uma família, e apenas a mais velha voltou a morar com mãe.

A partir de então nenhum desses se encontraram, com exceção da das duas irmãs (Fernanda e Analice) que foram adotadas por famílias vizinhas, sendo criadas bem próximas desde a infância, e sempre cientes que eram irmãs.

As mães adotivas relatam, que elas chegaram muito debilitadas, com traços aparentes de mal tratos e desnutridas.  Muitos foram os cuidados e tratamentos que ambas tiveram que fazer, Fernanda chegou a ter problemas de audição em função de uma larva que foi encontrada no seu ouvido. E Analice tem até hoje tem marcas das feridas que chegou com elas na cabeça e ainda faz constantes tratamentos para anemia. Mas com muito amor e cuidado foi possível reverter essas dificuldades, e hoje elas não têm o que reclamar das suas famílias.

 Mas, por muitos anos as duas juntas procuraram compreender sua história, em busca de respostas para alguns vazios. Muitos foram os desafios enfrentados, principalmente porque ambas foram criadas por mães independentes, sem a presença de uma figura paterna.

Procuraram por notícias, entre referências dessa transição familiar, mas nunca encontraram respostas efetivas.

*2015: 32 anos depois, o Pai biológico, conseguiu informações sobre o paradeiro de suas filhas. E foi marcado um reencontro emocionante, um amor antigo que renasceu num abraço tímido, mas em troca de olhares emocionados.  Muitas histórias a se compartilhar, muitas alegrias, muitas tristezas… Muitas coisas que ainda precisam ser resolvidas. Mas de tudo a certeza de que o amor é a justificativa de tudo! A certeza que não há o que perdoar, apenas a agradecer, pois no momento em que ele reconhece a sua fraqueza, ele se faz forte o suficiente para perder parte de si para que suas filhas pudessem ter uma nova chance!

*2019: Aqui estou, com um sentimento enorme de gratidão à vida, em especial à DEUS e minha mãe, que sempre me incentivou a buscar o melhor e que durante 36 anos entregou a sua vida a cuidar da minha. E que hoje, com 74 anos, confia em mim para cuidar dela.

Em função da minha história de vida, toda a minha formação profissional é voltada para atuação no contexto social. E me alegra, saber que hoje eu posso agregar na vida das pessoas através da minha capacidade técnica. E o meu trabalho no Sesc com o Grupo de Idosos é uma oportunidade dada por Deus para eu agradecer por tudo o conquistei até aqui. Além de poder estar envolvida e cada dia mais apaixonada com o processo de envelhecimento e longevidade, contribuindo muito na minha relação com minha mãe, que agora já faz parte também do SESC +60.

Por tudo isso é que busco sempre acolher a pessoa idosa com amor e dedicação. Pois sei que cada um tem a sua história e enfrentou desafios ao longo da vida. E cabe a mim, neste lugar, contribuir para que eles acreditem que não é privilégio dos contos viver um uma história FELIZ!

*Foto: Minha tia, eu e minha mãe!

VOLTAR